Críticas dos leitores

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A Pior Pessoa do Mundo

A pior pessoa do mundo

Fernando Oliveira

“Uma personagem secundária na sua própria vida”, é assim que se sente muitas vezes Julie, mulher perto dos 30 anos nunca soube muito bem o quer da vida, na universidade saltitou entre cursos, nos relacionamentos também não se deixa apegar. Até que conhece Aksel, mais velho que ela, é autor de banda desenhada, vai viver com ele. Mas continua a sentir que não faz parte do mundo que a rodeia, o mundo dele. Uma noite, depois de abandonar uma festa onde está com Aksel, invade uma festa de casamento. Lá conhece Eivind, e é lindíssima a “dança” que os dois dançam, a dança do “isto não é traição”. Salto para a frente de Julie, é também muito bonita a imersão no fantástico quando o filme suspende o tempo na correria de Julie pala cidade de Oslo ao encontro de Eivind. Julie deixa Aksel e inicia uma relação com Eivind, perceberá depois que as escolhas que fazemos deixam coisas irremediavelmente para trás. As personagens nos filmes de Trier são quase sempre assim: têm dificuldade em relacionarem-se com os outros, muitas vezes parecem estar até “fora” da história, mas esse distanciamento traz um sentir intimista que nos toca profundamente; Julie comete erros, decide ora bem ora mal, hesita quando não deve hesitar, vai em frente quando devia parar para pensar, faz escolhas erradas como todos nós, vive portanto, e isso não faz de ninguém a pior pessoa do mundo. É verdade que Trier sublinha talvez demais o mal-estar das sociedades urbanas nos dias de hoje - a solidão, a perda de referências (Aksel que lamenta o mundo digital, o facto de já não vivermos no meio das coisas, dos discos, dos filmes, até dos livros), a angústia, a insatisfação que não conseguimos saciar - algumas vezes abusando do óbvio; mas esta narrativa dividida em doze capítulos, um prólogo e um epilogo, sobre quatro anos da vida de uma mulher que se vai descobrindo a si própria numa deriva que parece anárquica, mas que é geometricamente circular (o final…), é um espantoso filme que não nos deixa sossegar, corajoso nas formas que Trier escolhe para a contar, e com uma actriz magnifica, Renate Reinsve. Como a personagem, o filme é belo mesmo nas suas imperfeições. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")

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Fogo-Fátuo

Esperava mais

Cristina

Os rumores nas redes sociais revelam o lobbie que o filme tem. Depois vai-se ver e sai-se na mesma. A hora mais perdida do cinema português recente.

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Fogo-Fátuo

Não só da mangueira se faz um bombeiro.

Luis Gamito

Mais um filme egoísta que se diverte a troçar das instituições do alto de um pedestal. O realizador diz que é uma comédia, mas as únicas deixas de diálogo que podiam ter piada são ditas por actores de pau (Miguel Loureiro) ou de esferovite (Margarida Vila Nova). As situações ditas anedóticas (alguma malícia num treino interminável de inocentes bombeiros verdadeiros, a dicção do príncipe, a erotização de chavões raciais ditos ofensivos, músicas meias patetas sobre árvores e machadinhas, bombeiros que deitam beatas acesas ao chão, reis que se peidam, bombeiros amantes de arte clássica...) são todas tão toscas e tão elementares que, por mais que as revistas venham dizer que há muita sátira envolvida e muita pertinência, o jacto nunca passa da contra-loja e, com muita pena nossa, não toca sequer nas labaredas. Os estrangeiros podem até achar graça porque não falam a língua e estão-se a cagar para estas temáticas frívolas. Mas por cá é muito mais difícil enganar o povo, ó principezinhos iluminados!

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O Jovem Cunhal

Que chato, este Botelho!

Luis Gamito

Arre.

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Nunca Nada Aconteceu

Um filme BONITO

David Rodrigues

Num mundo escuro, entre as trevas, nada corre bem. E nós saímos da sala a pensar que era tão fácil que o mundo fosse melhor, está tudo nas nossas mãos. Um filme BONITO.

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Não Te Preocupes, Querida

Um filme razoável

Paulo Lisboa

Fui ver este filme, porque achei o argumento muito original e potencialmente interessante. Gostei do filme, é um filme que se vê mais ou menos bem, a recriação dos anos 50 está perfeita e as actuações de todos os actores primam pela competência, se bem que nunca atinjam um nível elevado. Estamos perante um filme razoável. Numa escala de 0 a 20 valores, dou 13 valores a este filme.

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Três Mil Anos de Desejo

Bad max

Jozé Firelli

Uma história sem ponta por onde se lhe pegue, mal realizada e mal interpretada.

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Nunca Nada Aconteceu

Excelente filme, imperdível mesmo

MJ Ferraz

Um filme pungente, forte e intenso, um murro no estômago, e sem dúvida aconselhável a todos os adolescentes e aos pais deles. Tem uma estética superior e raramente vista no cinema português. Óptimo argumento, actores de primeira água, fotografia linda e fabulosa realização. Parabéns ao cinema português, é dos melhores filmes que ele (agora) tem.

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Uma Paixão Simples

Uma Paixão Simples

Fernando Oliveira

É um filme apenas sobre uma mulher que espera, uma mulher que anseia pelo regresso do amante. “A partir do mês de Setembro do ano passado, não fiz mais nada a não ser esperar um homem: esperar que ele me telefonasse e viesse a minha casa”, é com esta frase que começa o filme, e é também assim que começa o livro homónimo de Annie Ernaux em que o filme se baseia. A mulher é Hélène, professora em Paris, divorciada, vive com o filho; e espera, espera pelo seu amante russo, é uma obsessão que tomou conta daquela mulher. E enquanto espera, recorda os seus encontros com aquele homem, funcionário da embaixada russa, personagem quase inexistente, apenas definido pelo “olhar” de Hélène. Assim o que Danielle Arbid no quer contar em “Uma paixão simples” é esse olhar de Hélène, tanto enquanto espera, mas também na encenação das cenas de sexo entre os dois; o desejo de Hélène é um desejo de sexo, não exige de Aleksandr qualquer reacção romântica ou afectiva, o que torna a dependência daquela mulher simultaneamente numa libertação através do sexo e numa prisão viciante. E como é que pode mostrar em Cinema a cosa mentale que é uma mulher à espera: tornando esse estremecimento, essa angústia, numa deambulação narrativa que coloca a “alma” da personagem e o erotismo num plano que roça o onírico, pondo a outra parte da vida da personagem num outro plano, como se fosse um filme a passar ao seu redor. Um filme pontuado por canções que muito nos dizem sobre essa espera, sobre essa mulher. É um filme belíssimo sobre a diferença radical, e muitas vezes trágica, que há entre os olhares da mulher e do homem sobre isso mesmo: a complexa relação feminino/masculino, e violência sentimental resultante. Sendo este filme sobre o olhar de uma mulher, um olhar sem contra-campo, é espantosa a interpretação de Laetitia Dosch, o que procuram os olhares da sua personagem, os gestos, os silêncios, o ofegar, a perturbação que a encharca. É nela que Arbid se concentra, é dela que vem a inquietação que nos confunde.

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O Capitão Blood

O Capitão Blood

Fernando Oliveira

Foi neste filme que o Cinema nos deu uma das suas figuras mais inesquecíveis: Errol Flynn e os seus personagens aventureiros, homens dotados de galhardia, corajosos e ao mesmo tempo insolentes e com aquele sorriso trocista que tanto irritava os antagonistas como nos cativava a nós, homens acima de tudo com um enorme coração, capazes de tudo pela mulher que amam, ou pelos colegas de aventura. “Capitão Blood”, de Michael Curtiz – realizou muitos filmes na Europa entre 1912 e 1926, nos EUA tornou-se um dos nomes mais importantes da Warner, onde trabalhou mais trinta anos, durante todo o período clássico do Cinema americano, tocando, julgo, quase todos os géneros, uma carreia desigual é certo, mas com alguns filmes essenciais (“Casablanca”, por exemplo) – além de definir o modelo daquilo que seriam os “filmes de piratas”, é também o filme em que Errol Flynn e Olivia de Havilland contracenaram pela primeira vez, e que em oito filmes, até “Todos morreram calçados” de Raoul Walsh em 1941, criaram uma memórias mais perenes do Cinema. Peter Blood é um jovem médico em Inglaterra no final do século XVII durante o reinado de Jaime II; condenado à morte por ter tratado de um ferido durante uma revolta contra a tirania do rei, é salvo por uma lei que o envia para a escravatura na Jamaica; um capricho da sobrinha de um fazendeiro salva-o das minas… . Depois é o romance, é a aventura, é o final feliz. São magníficas as cenas dos combates navais, a fotografia é muito deslumbrante (é belíssima a luz neste filmes), juntando a mestria técnica a uma vivacidade narrativa absolutamente cativantes. Um clássico absoluto.

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