A Filha Perdida

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Drama 121 min 2021 M/14 03/02/2022

Título Original

The Lost Daughter

Sinopse

Leda Caruso é uma professora universitária de meia-idade que se encontra de férias na Grécia. Sozinha, passa o tempo a observar as pessoas à volta, distraidamente, até se tornar quase obsessivamente interessada por uma jovem mãe e a sua filha pequena. Através delas, Leda vê-se de regresso ao passado e à sua experiência enquanto mãe. Isso vai fazê-la reavaliar a sua vida e as decisões, nem sempre fáceis ou justas, que teve de tomar. 
Com assinatura da actriz Maggie Gyllenhaal (na sua estreia em realização), protagonizado por Olivia Colman e baseado numa obra de Elena Ferrante, um drama psicológico sobre os diversos desafios da maternidade. Com Jessie Buckley, Dakota Johnson, Peter Sarsgaard e Ed Harris a assumirem as personagens secundárias, o filme foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, e foi nomeado para os Globos de Ouro de realização e representação (Colman). PÚBLICO

Realizado por

Maggie Gyllenhaal

Elenco

Dagmara Dominczyk, Dakota Johnson, Jessie Buckley, Olivia Colman, Peter Sarsgaard, Ed Harris

Críticas Ípsilon

Maggie Gyllenhaal e Elena Ferrante: as pessoas más

Jorge Mourinha

Adaptando Elena Ferrante, Maggie Gyllenhaal faz uma auspiciosa estreia na realização com um filme tenso, desconfortável, inteligente.

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Críticas dos leitores

3 estrelas

José Miguel Costa

A "filha Perdida", primeira obra (enquanto realizadora e argumentista) da actriz Maggie Gyllenhaal, baseada no romance homónimo da aclamada escritora Elena Ferrante, é um drama que entrelaça, de modo inteligente, apontamentos de comédia e uma certa atmosfera de triller psicológico, com o objectivo de explorar a controversa temática dos (conservadores) papéis de gênero associados à maternidade.

Embrenha-nos, sem pressas, na viagem solitária de Leda (uma professora universitária inglesa, divorciada, prestes a atingir os cinquenta anos, interpretada por uma transcendente Olivia Colman) a uma ilha grega.
Aí chegada revela alguns sinais de perturbação a nivel comportamental, que se intensificam após a chegada de uma pouco aconselhável familia numerosa de americanos com raizes locais, com a qual se indispõe no imediato, por um motivo fútil.
Como se o clima de paz podre que se instalou entre estes vizinhos forçados de espreguiçadeiras de praia não fosse suficiente per si, começa manifestar uma estranha obsessão por uma das crianças (e mais concretamente pela sua boneca), que se vai agudizando (e cujas motivações vamos gradualmente percebendo devido ao recurso a constantes flashbacks, habilmente inseridos, com memórias tumultuosas das suas anteriores vivências familiares).

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3 estrelas

José Miguel Costa

A "filha Perdida", primeira obra (enquanto realizadora e argumentista) da actriz Maggie Gyllenhaal, baseada no romance homónimo da aclamada escritora Elena Ferrante, é um drama que entrelaça, de modo inteligente, apontamentos de comédia e uma certa atmosfera de triller psicológico, com o objectivo de explorar a controversa temática dos (conservadores) papéis de gênero associados à maternidade.

Embrenha-nos, sem pressas, na viagem solitária de Leda (uma professora universitária inglesa, divorciada, prestes a atingir os cinquenta anos, interpretada por uma transcendente Olivia Colman) a uma ilha grega.
Aí chegada revela alguns sinais de perturbação a nivel comportamental, que se intensificam após a chegada de uma pouco aconselhável familia numerosa de americanos com raizes locais, com a qual se indispõe no imediato, por um motivo fútil.
Como se o clima de paz podre que se instalou entre estes vizinhos forçados de espreguiçadeiras de praia não fosse suficiente per si, começa manifestar uma estranha obsessão por uma das crianças (e mais concretamente pela sua boneca), que se vai agudizando (e cujas motivações vamos gradualmente percebendo devido ao recurso a constantes flashbacks, habilmente inseridos, com memórias tumultuosas das suas anteriores vivências familiares).

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Okay...

Luís

Pois. Também não li o livro, mas suponho que haja muito mais do que nos foi dado a ver nesta adaptação. Porque se for só isto não sei o porquê de tanto alarido. Suponho que havia muito para ler nas entrelinhas, mas num domingo depois de um cozido para o almoço, não me estava muito a apetecer dar "saltos interpretativos". Provavelmente escolhi mal a "sobremesa". (Ainda por cima sou gajo, além de outros defeitos). Bem hajam.

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A Filha Perdida

Ulda Camacho

A intelectualidade ocidental, pretensiosa e perversa, que não tem qualquer ligação com a realidade está aqui bem desenhada, e pelo meio os problemas da maternidade, do pecado e da culpa. É um filme que retrata este universo ocidental cada vez mais cínico e desajustado à realidade. Infelizmente as mulheres deixam todos os dias escapar a oportunidade de fazerem e serem diferentes, parecem-se cada vez mais com os que elegeram e mantiveram esta sociedade patriarcal e clerical. É um bom filme, dá que pensar, para onde vamos, nós as mulheres, sem autonomia ética.

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Ambição excessiva

V. Guerra

Fui ver inspirado e "respeitoso". Não li o livro e não sei qual a intenção da escritora, mas percebi a da realizadora. Um conjunto de "clichés" na representação de uma mulher em crescimento, como fêmea e como mãe. A Leda jovem não coincide com a Leda de 48 anos e a bela Nina grega mostra-nos isso. Evitar as praias gregas. Uma estrela.

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Filha perdida

Helena Costa

Adorei a critica do Pedro Marques.
Nela me revejo inteiramente.

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Mulher, Mãe, Mestre

Pedro Brás Marques

A praia… Não é terra nem é água, antes areia, movediça e inconstante. É lá que a imensidão do mar toca na vastidão da terra, a zona de fronteira entre o que está escondido abaixo do espelho aquífero e o que se ergue acima, sólido e granítico. A metáfora perfeita para o inconsciente e o consciente.

É ali que vamos encontrar Leda Caruso, uma brilhante professora universitária que, entre uma ou outra leitura, se entretém a observar os seus companheiros de repouso. Uma família numerosa e ruidosa prende-lhe a atenção, principalmente uma jovem, Nina, com o seu companheiro e a filha. Um dia, a miúda perde-se, lançando o pânico na praia. Com esse acontecimento potencialmente traumático, as memórias adormecidas de Leda despertam, recordando-lhe um episódio semelhante ocorrido com uma das suas filhas, também numa praia... Entretanto, a miúda acaba por ser encontrada, precisamente por Leda. A partir daqui, passado e presente evoluem em paralelo, com a docente universitária a revisitar o que foi enquanto mulher com desejos e ambições, esposa adúltera e mãe fria e desleixada, o que disso resultou, e a projectar o mesmo em Nina, uma jovem mãe, despreocupada e infiel porque igualmente presa numa relação que não a faz feliz.

É claro que o foco narrativo está em Leda. É ela que tem a riqueza do passado que nos vai sendo lentamente revelado. E o que encontramos hoje é o reflexo das suas opções. Ela sempre se preocupou mais com o eu do que com o nós, não hesitou em abandonar a família, marido e filhas, à procura da ideia de felicidade em que acreditava. A prole era um aborrecimento, o marido era frouxo e Leda precisava de sentir o sangue a ferver nas veias. Afinal, onde é que está escrito que uma mulher tem de ter o papel tradicional de mãe curadora e o pai de trabalhador? O preço dessa escolha, desse rasgar de convenções, de ser uma mulher autónoma, vemo-lo agora: a solidão, o distanciamento para com as filhas e a confissão: “I am na unnatural mother”, confessa. Aliás, a sua relação com as crianças fica bem demonstrada no episódio da boneca perdida, algo que, no fundo, é uma criança, mas que não berra e não incomoda… A verdade é que ela nunca soube interagir bem com os outros, basta ver a forma atabalhoada como o faz com Lyle, o simpático americano desterrado na Grécia, ou como quando se recusou a mover a liteira para que a família ficasse toda junta, apenas porque não lhe apeteceu, como que numa afirmação de que “lá por ser mulher não tenho de ceder”… Mais importante ainda, a crucial cena passada na sala de cinema, onde Leda, sozinha, quer impor a sua vontade, legítima, de que um grupo de jovens se cale para ela e os demais possam desfrutar do filme. Mas não consegue, nem apelando aos funcionários da sala, acabando por desistir e abandonar o local, completamente humilhada, quando o chefe (um homem, lá está…) da tal família da praia dá um berro e todos obedecem. Esta dissintonia social, parte consciente, parte inconsciente, faz com que Leda olhe para Nina e veja, em ambas, mulheres aprisionadas à sua condição. Daí a vontade de a resgatar, quase como se fosse uma dupla missão: a de a salvar e, através dela, tentar ainda salvar-se… O diálogo confessional entre as duas é um dos mais belos momentos do filme.

Ao nível da realização, “A Filha Perdida” é assinado por Maggie Gyllenhaal, uma estreia auspiciosa. A forma como a história é narrada, com os dois tempos a correrem em paralelo para tudo se fundir no final, implica já algum domínio do que é tempo e dinâmica no cinema. É certo que contou com uma extraordinária actriz, Olivia Colman, para dar corpo e, especialmente, cara à ambiguidade e à angústia de Leda. Não é fácil abordar questões que tocam tão profundamente um personagem como as que são tratadas nesta história, baseada num original da misteriosa e famosa escritora napolitana Elena Ferrante, mas Gyllenhaal consegue superar todas as adversidades e proporcionar um filme coerente e cativante, resistindo até à tentação de se aproveitar das paisagens mediterrânicas da ilha para deslumbrar o espectador porque o que realmente era importante em “A Filha Perdida” era mostrar o que estava abaixo da superfície. E isso foi plenamente conseguido.

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